O Púlpito não é Palanque: Quando a Fé vira Jogo de Poder
Entenda como preservar a integridade da igreja em tempos de instrumentalização da fé
Hoje trago um texto importante do Sérgio Levi que merece nossa atenção. Ele aborda um tema delicado, mas necessário: quando o púlpito deixa de ser um lugar de proclamação do Evangelho e se transforma em palco para outros interesses.
O Sérgio conseguiu articular algo que muitos de nós sentimos, mas nem sempre sabemos nomear. Aquela inquietação quando percebemos que o sagrado está sendo deslocado de seu propósito original — não por forças externas, mas por dinâmicas internas da própria igreja.
O texto é direto e incisivo, mas também oferece caminhos práticos. Ele nos lembra que a igreja não é uma propriedade familiar nem uma plataforma política, mas o Corpo de Cristo, onde a liderança é serviço e a Palavra é a autoridade final.
Convido você a ler com atenção. E, como sempre, ao final do texto do Sérgio, compartilho minhas atualizações da semana no “Processando na Mente”. Boa leitura!
Uma inquietação…
Você já sentiu que, em alguns momentos, o ambiente da igreja parece ter mudado de foco? Que, entre um hino e outro, o discurso espiritual deu lugar a uma agenda política ou administrativa? Esse fenômeno tem nome e sobrenome na teologia: secularização interna.
Hoje, vamos conversar sobre como o sagrado está sendo “profanado” — não por quem está fora da igreja, mas por quem está dentro dela.
O Sagrado “Fora de Lugar”
A secularização nem sempre significa o fim da religião. Às vezes, ela acontece de forma silenciosa: os cultos continuam, a liturgia está lá, mas a intenção mudou. O filósofo Giorgio Agamben explica que “profanar” é pegar algo que era exclusivo para o culto e desviá-lo para o consumo ou para a estratégia pessoal.
Assim, o púlpito se transforma em uma plataforma: o espaço que deveria ser de anúncio do Evangelho muitas vezes vira uma ferramenta para converter influência religiosa em capital político. O culto é interrompido para discursos eleitorais ou a linguagem espiritual é usada para justificar decisões que não conversam com os interesses da comunidade local. O resultado é que a autonomia do fiel diminui. A escolha civil – em quem ele votará ou suas preferências políticas – passa a ser tratada erroneamente como uma extensão da salvação.
Igrejas ou Negócios Familiares?
Outro ponto crítico é a transformação de dons ministeriais em estruturas de poder. Em muitos contextos, a sucessão pastoral deixou de ser um discernimento da comunidade para se tornar uma herança familiar.
Para manter esse poder, surgem mecanismos de controle:
Mudanças em estatutos para blindar grupos específicos.
O uso distorcido do lema “não toque no ungido” para silenciar críticas.
A substituição da autoridade espiritual por uma lógica quase monárquica.
O Resgate do Padrão Bíblico
A boa notícia é que a própria Escritura oferece o “antídoto” para essa crise. Para restaurar a identidade da igreja, precisamos olhar para três pilares fundamentais:
Liderança é Serviço: Jesus foi claro: quem quiser ser o maior deve ser o que serve (Mc 10,43). O poder no Reino não se herda, não se compra e não é vitalício por direito de sangue.
A igreja é regida pela Palavra: A pregação deve ser fiel à Escritura, servindo para edificar e consolar, e não para manipulação emocional ou autopromoção.
A Comunidade é um Corpo: A igreja não é uma plateia passiva, mas uma assembleia onde o discernimento é comunitário e o Espírito guia a todos, não apenas a um líder centralizador.
Caminhos Práticos para Nossas Igrejas
Como viver a fé com integridade nesse cenário? Aqui estão alguns passos:
Compare tudo com a Bíblia: Não aceite ensinos sem examinar as Escrituras.
Separe Fé de Política: Atue como cidadão consciente, sem deixar que sua devoção seja instrumentalizada por candidatos.
Exija Transparência: Valorize igrejas que prestam contas e promovem a ética na gestão.
Proteja o Culto: Recuse-se a participar da transformação do momento de adoração em palanque estratégico.
A igreja é o Corpo de Cristo, não uma organização patrimonial. Resgatar essa essência é o único caminho para que o púlpito volte a ser o lugar da esperança e da verdade.
🧠 Processando na mente
📜O que aconteceu dias atrás:
Essa semana estou explorando um e-reader que comprei recentemente — um tablet que funciona como papel digital. Compartilhei alguns de seus benefícios na postagem abaixo, mas a experiência tem sido muito boa: ler em uma tela que não cansa a vista está mudando minha relação com a leitura prolongada.
📕 O que estou lendo:
Roteiro de Documentário: Da Pré-Produção à Pós-Produção
Sempre preciso escrever roteiros para conteúdos variados, mas uso a palavra “roteiro” de forma genérica, sem o rigor técnico do cinema. Então, nessa semana, estou me arriscando fora da teologia para entender como se estrutura um roteiro de documentário de verdade. A curiosidade é simples: quero melhorar a forma como organizo e apresento ideias.
🎵 O que estou ouvindo:
🎬 O que estou assistindo:
Finalmente concluímos a série mais comentada da internet com aquele pequeno sentimento de... esperava mais. Mas não sou tão crítico quanto os outros. A série tinha um objetivo claro — entreter com leveza e nostalgia — e cumpriu isso até o final. Nem toda história precisa ser profunda; às vezes, o que precisamos é apenas de uma boa companhia narrativa.
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Victor Romão.





