Não há atalho para o nome de Jesus
Paulo só fala da exaltação depois de falar da cruz.
No último domingo fui pregar em uma igreja de nosso campo. Quando recebi o convite, semanas atrás, me informaram o tema da mensagem: “O NOME QUE ESTÁ ACIMA DE TODO O NOME.” A proposta estava baseada no versículo de Filipenses 2:9, um daqueles textos que, quando lido com uma voz forte, faz as pessoas saltarem de alegria.
A passagem escolhida é rica e o tema é motivador. Para muitos pregadores itinerantes, é o caminho perfeito para subir no púlpito e levar a plateia à euforia.
Mas eu prego de um jeito que chamo de expositivo-temático, e isso me obriga a observar sim o tema, mas nunca deixar de respeitar o texto bíblico. Não consigo, embora já tenha tentado, pregar de forma descontextualizada. Nunca presumo que o tema que me foi entregue baseado em uma passagem, ou as expectativas que as pessoas têm sobre determinado versículo, estão certas. Presumo até que minhas expectativas estejam erradas.
Aprendi, graças a Deus, que meu compromisso não é com o que eu gostaria de pregar. É com o que a Escritura diz. Portanto, quando recebi o convite para falar sobre “o nome que está acima de todo nome”, fui estudar a carta aos Filipenses antes de começar a escrever uma frase do sermão.
Afinal, um sermão não se sustenta em um tema cativante, mas no significado das Escrituras. Sempre é a Bíblia que apresenta o tema ou ilumina o assunto que desejamos falar. E ao estudar o contexto, percebi que para entendermos o tema, algo precisava ser dito antes, em respeito as belas palavras do apóstolo.
Pregar o versículo que me deram de forma solta, com certeza nos faria apenas pensar em vitória. Nos traria, facilmente, vários jargões para que a igreja levantasse as mãos ao repetir a passagem: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira, e lhe deu o nome que está acima de todo nome.” Mas o apóstolo não escreveu essa frase sozinha. Ele a escreveu depois de outra coisa.
Volte três versículos. Antes de falar do nome que está acima de todo nome, Paulo descreve o que Jesus fez para recebê-lo: “não julgou como usurpação o ser igual a Deus. Antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo... a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.”
Aí está o ponto que muda tudo. Você não chega ao nome sem passar pela cruz. A exaltação não é um atalho. É a outra ponta de um caminho que começa no esvaziamento.
Pense em como isso transforma nossas expectativas. Nós queremos um Deus de força. Levantamos as mãos pedindo que ele aja com poder, que resolva o problema, que vença a guerra que estamos perdendo. E ele é forte, é verdade. Está sentado no trono. Tem autoridade sobre céus e terra. Mas Paulo não diz que Jesus foi exaltado porque venceu uma batalha com espada. Diz que foi exaltado porque, podendo descer da cruz, ele ficou.
Ele tinha os anjos à disposição. Tinha poder para acabar com o império romano com uma palavra. Escolheu ser tratado como bandido, cuspido como réu, morto como escravo. E foi exatamente esse caminho, o do serviço até o fim, que Deus coroou com o nome acima de todo nome.
Isso muda a pergunta que fazemos quando adoramos. Não é mais “esse Deus é forte o bastante para o meu problema?“ Mas é “estou disposto a seguir o mesmo caminho que ele seguiu?“
Porque é isso que Paulo pede antes de qualquer coisa. Não pede aplauso, pede sentimento: “Tende em vós o mesmo sentimento que também houve em Cristo Jesus.“ O sentimento do esvaziamento. Do servo que abre mão do que tem direito. Da obediência que vai até onde dói.
Se a sua igreja quer adorar o nome que está acima de todo nome sem entender isso, ela está adorando um deus da própria cabeça. Um deus que só existe para confirmar o que já queríamos antes de entrar no culto. Um ídolo criado por mãos humanas.
O verdadeiro nome acima de todo nome pertence a quem se esvaziou primeiro. Ele merece o trono, porque é o único que, tendo o trono, deixou-o para nos amar. Quem entende essa realidade não tem outra ação a fazer a não ser dobrar os joelhos e confessar que Ele é o Senhor.
Foi essa a mensagem que preguei sobre o tema que me deram. Porque ser fiel ao tema é ser fiel ao texto que o sustenta.
🧠 Processando na mente
📕 O que estou lendo:
The Gospel according to Mark - Focant
Como comentei em meu último texto, estou escrevendo uma revista para a nossa igreja sobre o Evangelho de Marcos. Eu já tinha uma estrutura desenhada e fiquei impressionado que esse autor francês, tinha muito a contribuir com minha proposta. O que me interessou em sua obra é principalmente sua análise narrativa. Vejo com bons olhos a utilização da análise literária no estudo dos evangelhos, embora não possamos usar este método sozinho.
🎵 O que estou ouvindo:
🎬 O que estou assistindo:
A Biblioteca de Jonas Madureira
A construção de uma biblioteca é um sonho. Olhar esse vídeo me motiva.
📩 Sobre essa Newsletter
Aqui compartilhamos reflexões sobre a fé cristã, teologia, bíblia, igreja e até mesmo sobre assuntos mais terrenos como política e tecnologia. Tudo com o objetivo de seguirmos os passos de Jesus!
Se você ainda não é inscrito nesta Newsletter, não deixe de se inscrever pelo botão abaixo.
Você também pode se tornar assinante do plano pago e desbloquear artigos exclusivos 👆
🗣️ Agora é sua vez...
Compartilhe este texto com alguém:
Não deixe de reagir a este texto, seja curtindo, respondendo por e-mail, comentando ou compartilhando com alguém, deste modo conseguimos entender se nossa escrita está sendo útil para você.



